• Livro: Memórias de um Sargento de Milícias

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

MPF quer anular nota da redação

 
 
 
Procurador do Ceará defende que seria injusto formar uma média do Enem usando a prova subjetiva.

Mirella Marques

Parece que a tempestade não vai deixar o Ministério da Educação (MEC) tão cedo. A briga judicial entre o Ministério Público Federal (MPF) do Ceará e o MEC ganhou mais um round. Dessa vez, o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, quer que a nota da redação do Enem 2011 seja desconsiderada no Sisu. Segundo ele, como as formas de correção da prova objetiva, baseada na teoria de resposta ao item (TRI), e da redação, que tem notas absolutas, são diferentes, seria injusto formar uma média final com esses dois resultados. A decisão, que será válida em todo o país, está nas mãos do juiz Leonardo Resende, da Justiça Federal do Ceará.

Na última segunda-feira, o procurador apresentou seus argumentos ao juiz. “Essa nova ação tem dois objetivos. O primeiro é especificar como acontecem as correções da prova objetiva. O MPF também quer que a nota da redação não seja considerada na briga pelas vagas do Sisu. Seria injusto”, explicou ao Diario Oscar Costa Filho. No ano passado, o procurador tentou anular o Enem e ampliar o cancelamento de 14 questões que vazaram em um colégio particular de Fortaleza (CE) para os candidatos de todo o Brasil. Os dois pedidos foram deferidos pela Justiça Federal do Ceará mas negados pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), instância superior.

A notícia de que a nota da redação seria descartada do Sisu pegou os feras pernambucanos de surpresa. Ainda mais porque as inscrições para o Sisu começam no próximo sábado. Alguns estudantes ficaram indignados, já que as regras de seleção seriam mudadas de última hora. Outros estão torcendo para que a nota seja mesmo descartada. Amanda Teixeira, de 18 anos, faz parte deste grupo. Na redação do Enem ela fez 520 pontos, um resultado que fica na média da prova nacional. “Achei essa ação do MPF do Ceará muito boa. Tirei uma nota abaixo do que esperava e nem sei porque, já que a correção da redação é subjetiva”, avaliou a jovem, que vai brigar por uma vaga no curso de ciência da computação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Saiba mais

Entenda a “novela”

Dois dias depois do Enem, aplicado nos dias 22 e 23 de outubro do ano passado, alunos do Ceará postaram nas redes sociais fotos de uma apostila do Colégio Christus, onde via-se claramente nove questões iguais e cinco parecidas com as que caíram na prova

O material didático foi repassado aos estudantes do 3º ano do ensino médio dez dias antes da prova nacional

O MEC admitiu que as 14 questões foram copiadas do pré-teste do Enem, aplicado na escola particular em setembro de 2010

Para reparar o problema, o MEC sugeriu a reaplicação do Enem apenas para os 639 estudantes do Chirstus, nos dias 28 e 29 de novembro

Diante dos fatos, o procurador do MPF) no Ceará, Oscar Costa Filho, pediu o cancelamento do Enem em todo o país ou a anulação das questões vazadas. Ele entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal

O juiz federal Luis Praxedes deferiu liminar anulando as 14 questões que vazaram para os alunos de todo o país

O MEC ingressou com recurso no TRF-5

O presidente do TRF-5, desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima, derrubou a decisão da Justiça Federal do Ceará e determinou o cancelamento das questões apenas para os alunos do Colégio Christus

O MPF em Pernambuco ingressou com um recurso contra a decisão. O pedido foi avaliado pelo pleno do TRF-5, formado pelos 15 desembargadores da casa. Com apenas um voto contra, os desembargadores mantiveram a anulação das 14 questões para os alunos cearenses

Na semana passada, o procurador Oscar Costa Filho ajuizou uma nova ação na Justiça Federal do Ceará. Ele pede que a nota da redação do Enem seja desconsiderada no Sisu

O juiz federal Leonardo Resende, que está no plantão de recesso da Justiça Federal no Ceará, vai julgar o pedido.

domingo, 6 de novembro de 2011

Como é corrigido o Enem?

 
 
Meses de preparação, muitos dias de estudo, unhas roídas, tudo isso para chegar ao momento decisivo da prova. Dois dias, 10 horas, 180 questões, 5,3 milhões de candidatos e apenas uma chance de se dar bem. Pronto, agora já foi. Não adianta pensar naquela questão que você acha que errou ou no que poderia ter acrescentado na redação. Agora, é esperar a correção e torcer para que tudo tenha valido a pena.

A correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é coisa séria. O órgão que organiza o exame, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), corrige as provas do Enem com base na Teoria de Resposta ao Item, ou TRI, um modelo diferente do convencional utilizado em provas de vestibular, no qual quem acerta mais ganha mais pontos.

O TRI foca a questão e não a prova como um todo. Cada pergunta é construída levando em conta três parâmetros: a discriminação, a dificuldade e o acerto casual (o famoso “chute”). O parâmetro de discriminação faz com que pessoas com habilidades diferentes tenham também chances diferentes de acertar. O segundo parâmetro determina o grau de dificuldade do que você acertou ou errou e o parâmetro do acerto casual é uma prevenção contra o “chute”. Ele funciona analisando a consistência nas suas respostas, isto é, se você acerta uma questão muito mais difícil do que a média dos seus acertos, o TRI reconhece o acerto da questão mais complexa como casual e isso tem influência na sua nota final.

Em resumo, o TRI mede a proficiência – o conhecimento – do aluno e não quantas informações ele decorou. O aluno com a média mais coerente terá uma maior nota e mesmo que dois alunos acertem o mesmo número de questões, dificilmente terão o mesmo valor no resultado. É por isso que, mesmo com o gabarito em mãos, não é possível saber qual é a sua nota.

REDAÇÃO

Além das questões objetivas, a redação do Enem também segue um rigoroso processo de correção. São avaliadas cinco competências diferentes: domínio da norma culta escrita, compreensão do que foi pedido, interpretação dos dados, construção da argumentação e a solução do que foi proposto. Dois professores corrigem a redação separadamente. Caso haja uma diferença de mais de 300 pontos, um terceiro técnico avalia novamente e dá a nota final, que pode variar de zero a 1 mil.

sábado, 5 de novembro de 2011

"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro..."

 O Guy Fawkes é o verdadeiro V!






Em protestos em Oakland nesta semana, várias pessoas usavam uma bandana inspirada no personagem de V de Vingança. Tudo que se refere  ao personagem tanto gibi e filme, tem sua história no fato real "A Conspiração da Pólvora", uma revolta ocorrida em Londres, em 5 de novembro de 1606, liderada por Robert Catesby e outros católicos insatisfeitos com o governo do rei protestante Jaime I.







O objetivo deles era explodir o parlamento inglês utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio durante uma sessão na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora. Porém os conspiradores notaram que o ato poderia levar à morte de diversos inocentes e defensores da causa católica, portanto enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores, um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou uma revista no prédio do parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora. Após mais de uma semana sendo torturado, Guy Fawkes assina um documento em que confessava sua conspiração. Ele foi preso e torturado, revelando o nome dos outros conspiradores.







No final foi condenado a morrer na forca por traição e tentativa de assassinato. Os outros participantes revelados por Fawkes acabaram também sendo executados. Ainda nos dias de hoje o rei ou rainha vai até o parlamento apenas uma vez ao ano para uma sessão especial, sendo mantida a tradição de se revistar os subterrâneos do prédio, antes da sessão. Do mesmo modo foi mantida a tradição de celebrar no dia 5 de novembro a Noite das Fogueiras. Nesta noite é tradição malhar e queimar em fogueiras, bonecos que representam Fawkes, e soltar fogos de artifício.






Uma rima tradicional foi criada em alusão à Conspiração da Pólvora: 


"Remember, remember, the 5th of November

The gunpowder, treason and plot;

I know of no reason, why the gunpowder treason

Should ever be forgot."
Tradução livre:
"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro
A pólvora, a traição e o ardil;
Não sei de uma razão para a traição da pólvora
Ser algum dia esquecida "